Tem dias que parece que nao pertenco a lugar nenhum. Como se eu tivesse um vazio do tamanho do mundo dentro de minha nacionalidade. Nasci em um pais, moro em outro, e entao vivo em um dilemma, nao quero esquecer de onde vim, mas tenho que assimilar essa nova cultura ou nunca vou conseguir me adaptar. Vivo entao, essa vida louca que teimo em dizer que e multicultural e sem fronteiras, mas que dentro do meu peito vira perdida e sem raizes. O que me faz lembrar de uma musica do Oswaldo Montenegro, "Eu hoje acordei tão só , mais só do que eu merecia , eu acho que será pra sempre , mas sempre não é todo dia".
Como viver em uma terra que nao e a minha e nao me sentir como uma estranha? Como falar uma lingua que nao me pretence sem esquecer da minha? Como nao me sentir so, quando o resto do mundo ao meu redor sente um nacionalismo tao apurado por memorias que nunca tive? As piadas sao diferentes. As historias sao diferentes. Os relacionamentos sao diferentes.
Nao que eu nao goste daqui, na verdade eu gosto, mas se eu pudesse fazer com que eles entendessem…
Ah, se eles soubessem que existe sim um outro mundo, onde meu coracao esta enterrado e teima em voltar pelo menos uma vez ao mes, quando no silencio da noite minha mente vagueia tentando se achar. Ah, se eles soubessem que quando fecho meus olhos ainda posso sentir o aroma no ar, o sabor na boca, a melodia nos meus ouvidos, o sorriso no meu rosto de um tempo onde eu pertencia. Onde eu podia ser quem eu sou porque ao meu redor todo mundo era conhecido, mesmo os estranhos. Ah, se eles soubessem que existe um lugar onde a esperanca tem um significado diferente. Vindo de uma vida dificil e machucada, mas que nunca esquece de esperar, por uma vida melhor, por um dia melhor, por um mundo melhor.
E de novo eu pergunto, como viver dividida, entre uma vida passada e uma vida presente e quem sabe, futura? Como nao esquecer de onde vim? De onde sou e como cheguei ate aqui? Adaptar, sim. Esquecer, jamais. Mas Deus me ajude porque esses momentos de desencontro doem mais do que deviam.
Claudia Farr
17 de Fevereiro de 2008
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